O amor de um homem com TOC, transtorno obsessivo-compulsivo

No vídeo, Neil Hilborn apresenta os mais variados tipos de TOC, transtorno obsessivo-compulsivo, e transforma todos eles num poema emocionante (e engraçado) para a mulher amada.
“No nosso primeiro encontro, eu passei mais tempo organizando minha comida por cor do que comendo ou falando com ela. Mas ela amou…”

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Legenda O amor de um homem com TOC, transtorno obsessivo compulsivo

Entenda o TOC
Segundo o Dr. Dráuzio Varella, o TOC, ou transtorno obsessivo-compulsivo, é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade cuja principal característica é a presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões. Entende-se por obsessão pensamentos, ideias e imagens que invadem a pessoa insistentemente, sem que ela queira. Como um disco riscado que se põe a repetir sempre o mesmo ponto da gravação, eles ficam patinando dentro da cabeça e o único jeito para livrar-se deles por algum tempo é realizar o ritual próprio da compulsão, seguindo regras e etapas rígidas e pré-estabelecidas, que ajudam a aliviar a ansiedade. Alguns portadores dessa desordem acham que, se não agirem assim, algo terrível pode acontecer-lhes. No entanto, a ocorrência dos pensamentos obsessivos tende a agravar-se à medida que são realizados os rituais e pode transformar-se num obstáculo não só para a rotina diária da pessoa como para a vida da família inteira.
Em geral, os rituais  se desenvolvem nas áreas da limpeza, checagem ou conferência, contagem, organização, simetria, colecionismo, e podem variar ao longo da evolução da doença.


Confira o discurso completo do Neil Hilborn:
“Ela amou ter demorado uma eternidade para chegar em casa porque tem muitas rachaduras nessa calçada. Quando fomos morar juntos, ela disse que se sentia segura, como se ninguém fosse nos roubar porque eu com certeza tranquei a porta dezoito vezes.
Quando ela dizia que me amava, sua boca se curvava nos cantos.
À noite, ela deitava na cama e me assistia ligar e desligar, ligar e desligar, ligar e desligar, ligar e desligar, todas as luzes. Ela fechava os olhos e imaginava que dias e noites passavam à sua frente. Em algumas manhãs eu começava a dar beijos de tchau nela, mas ela ia embora porque eu a estava atrasando para o trabalho. Quando eu parava em frente a uma rachadura na calçada, ela continuava andando. Quando ela dizia que me amava a boca dela era uma linha reta.
Ela me disse que eu estava tomando muito tempo dela. 
Semana passada começou a dormir na casa da mãe. Me disse que não deveria ter deixado eu me aproximar dela,  que tudo foi um erro. Mas como pode ser um erro, se eu não tenho que lavar as mãos depois de tocar nela? O amor não é um erro.
E está me matando que ela consegue correr disso e eu não.
Eu não consigo sair de casa e achar alguém novo, porque eu sempre penso nela. Normalmente, quando eu me obceco por coisas, eu vejo germes entrando na minha pele. Me vejo esmagado por uma sucessão sem fim de carros. E ela foi a primeira coisa bonita em que eu fiquei preso.
Quero acordar todas as manhãs pensando na maneira que ela segura o volante, em como ela abre o registro do chuveiro como se fosse 
um cofre, o jeito que ela apaga velas. Agora, eu só penso em quem está beijando ela. Eu não consigo respirar porque ele só a beija uma vez, ele não se importa se é perfeito!
Eu a quero tanto de volta que agora eu deixo a porta destrancada, eu deixo as luzes ligadas…”

Fonte: CAOS BRAVO
Fonte: Dráuzio Varella

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