Bellini, o imortal - Blog da Seguros Unimed - Blog da Seguros Unimed

Bellini, o imortal

Bellini, o imortal

Na tarde de quinta-feira, 20 de março de 2014, morreu o primeiro jogador brasileiro a levantar a taça da Copa do Mundo. Ou melhor. O primeiro jogador a levantar a taça da Copa.

Hideraldo Luiz Bellini nasceu em Itapira (SP), em 7 de junho de 1930. Em 29 de junho de 1958, aos 28 anos, Bellini protagonizaria uma cena que mudou a história do futebol.

Ao receber a taça Jules Rimet na mão, o capitão do time brasileiro levou-a, como sempre se fazia, ao peito. Geralmente, os campeões enchiam a taça de champanhe e usavam o copo improvisado para bebê-lo. Bellini apenas a segurava. Até que ouviu um grito dos fotógrafos brasileiros que estavam cobrindo a conquista inédita do Brasil. “Levanta a taça, Bellini”.

O pedido tinha um objetivo claro. Posicionados atrás de fotógrafos de outros países, os brasileiros não conseguiam mostrar o capitão com a taça.

Bellini, então, levantou-a. Meio constrangido, com um olhar sisudo. O gesto passou, então, a ser mandatório para todo capitão de um time campeão. Taça na mão, taça por sobre a cabeça.

A partir daquela tarde de verão na Suécia, Bellini tornou-se imortal.

Sinônimo de segurança na defesa, o capitão brasileiro na conquista do primeiro Mundial era também o “dono” do time. Lá do setor defensivo, comandava, aos gritos, as ações dos jogadores mais consagrados. Era assim desde os tempos do Itapirense, quando ainda com 16 anos de idade começou a jogar bola. Dali, foi para o Sanjoanense, de São João da Boa Vista. Aos 21 anos, foi contratado pelo Vasco, time que era a sensação do Rio de Janeiro na época. Passou a defender a Cruz de Malta em 1952, atuando por dez anos no clube carioca. Foi no Rio que Bellini conquistou as maiores vitórias na carreira. Três campeonatos cariocas, um torneio Rio-São Paulo e outras taças internacionais em torneios comemorativos encheram a galeria de troféus do capitão. A conquista mundial de 1958, porém, era o seu maior troféu como jogador.

O título da Copa, porém, quase o fez mudar de carreira. Depois de imortalizar o gesto de levantar a taça sobre a cabeça, o capitão do time brasileiro recebeu um inusitado convite: ser estrela de cinema. Lima Barreto convidou-o para ser protagonista do filme “Quelé do Pajeú”. Bellini chegou a fazer teste para o papel, que acabou com Tarcísio Meira. Ao mesmo tempo, o capitão do Vasco recebeu uma proposta para ir trabalhar em Hollywood, no cinema americano. O clube carioca não o liberava do trabalho, e Bellini, desconfiado, preferiu não investir na carreira de ator.

Sorte do Vasco e do Brasil, que assim conseguiram manter seu capitão.

A força de Bellini no futebol brasileiro era tanta que, em 1962, após já ter deixado o Vasco e migrado para o São Paulo, Abraão Medina, dono das lojas de eletrodomésticos O Rei da Voz, decidiu homenageá-lo. Pediu para que fosse confeccionada uma estátua de bronze que representasse um homem levantando uma taça. O rosto, porém, não era o de Bellini, mas o de Chico Alves, cantor morto em 1952 e que também era idolatrado por Medina.

O gesto representado, porém, serviu para dar nome à obra: “A estátua do Bellini”. E, até hoje, é como ela é conhecida, antes no antigo, agora no novo Maracanã.

Mas a grandiosidade de Bellini não se resumiu à estátua para a qual ele dá nome. Em 1962, pouco antes da Copa, o capitão do time decidiu abrir mão da titularidade a da braçadeira para dar lugar a Mauro. O zagueiro, que havia sido reserva nas Copas de 1954 e 1958, decidiu dar um ultimato ao técnico Aymoré Moreira. Ou ele jogava, ou estava fora do Mundial do Chile. O grito de Mauro foi respondido de forma curta e direta por Bellini.

“É justo. Agora é o Mauro”.

A atitude surpreendeu a todos, que achavam que Bellini iria entrar duro nessa história da mesma forma que costumava entrar para dividir uma bola. A partir dali, Mauro e ele tornaram-se os melhores amigos, segundo os relatos de ambos.

O Maracanã iluminado de verde e amarelo simbolizou o adeus do Brasil a seu primeiro capitão campeão do mundo. Aos 83 anos, Bellini deixou a vida. Mas seu gesto, que mudou a história do futebol, é mais do que suficiente para dizer que, sim, Bellini é imortal.

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